A única certeza na vida

A vida muda com a partida de alguém de quem gostamos.

O futuro de amor e partilha é, subitamente e contra a nossa vontade, substituído pelo vazio e receio do presente. Quando o inevitável acontece e a perda entra na nossa vida, temos dificuldade em encontrar os recursos emocionais para continuar.

Devemos lembrar os bons momentos e agradecer as muitas experiências em conjunto. Aceitar a perda é, de forma natural, viver todas as dimensões da nossa existência. A mudança é parte essencial da vida.

Não devemos esquecer que, no final, o amor é a única coisa real e, esse, é imortal.

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A importância de se falar sobre o luto e perda

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Em termos sociais, o mais difícil é ser ouvido pois, na maioria das vezes, pretendemos expressar-nos durante estes momentos duros. Só através da abertura e conversação é possível facilitar e acelerar o nosso processo de luto.

É normal a repetição de histórias, que envolvem aquele que nos deixa. Só assim, há lugar à compreensão global da nova situação em que nos encontramos. Este processo é saudável e essencial. Por estas razões, é uma grande ajuda, perante um falecimento, ter presente alguém para nos ouvir e partilhar as emoções.

Hoje, já não se fala no fim do processo de luto mas, sim, no aparecimento da fase em que o enlutado começa a fazer planos sem aquele que o deixou. Quando realiza que a pessoa não está mais presente e permite a si próprio continuar o caminho, com a felicidade possível. Essa é uma "autorização" difícil porque, durante o luto, há a presença de um sentimento de culpa, em relação à progressão.

Luto é mais do que tristeza

Socialmente, temos dificuldade em lidar com a morte e, também, o luto. Quando surgem, é nos exigido que, apesar das dificuldades, continuemos a percorrer o nosso caminho diário e, ainda, a cumprir as diversas responsabilidades. Geralmente, não temos o tempo necessário.

O luto é um processo confuso. A maior parte de nós, não está preparada para a abrangência emocional. Chegamos a pensar que há algo de errado connosco. Estamos confusos com a nossa vida e, ao mesmo tempo, os outros não nos conseguem compreender na totalidade. São dias difíceis.

Não é, apenas, tristeza. Após a tristeza, fica algo mais… Medo, choque, culpa, fúria, negação, arrependimento. O leque de emoções é quase infinito.

O luto exige que as nossas emoções sejam honradas e, também, curadas. Não há janela temporal perfeita. A perda muda-nos e a vida muda. É, esta, a realidade do luto.

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Três conselhos para ajudar uma criança

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As crianças, em processo de luto, estão em todo o lado
Muitas crianças, até à adolescência, vão deparar-se com a perda de um familiar próximo. Nem sempre é fácil ler os sinais de fragilidade, contudo, o segredo para ajudar está em tentar manter a simplicidade durante toda a comunicação. Ao mesmo tempo, pode apoiar com a sugestão de actividades pouco usuais, que divertem a criança e, também, realçam a sensação de importância da mesma.

Dizer a verdade
As crianças preenchem os factos incompletos com a sua imaginação criativa. Infelizmente e frequentemente, tornam as coisas piores do que elas, realmente, são. Podem chegar a culpar-se pela difícil situação em que todos à sua volta se encontram. Assim, o melhor é optar por transmitir os dados de forma honesta e simples, tendo em atenção a idade da criança em questão.

Dar o exemplo
Ao não ocultar os seus sentimentos, está a ensinar as crianças que é positivo mostrar e partilhar a dor. Expresse, ao mesmo tempo, que há esperança em que a tristeza diminua e, a seu tempo, fiquem as boas memórias. Incentive, ainda, a expressão de sentimentos através de diversos meios, tais como, pintura, criação de um diário ou actividades juntos dos amigos.